Nota de Apoio

Ao SIMEGO e aos médicos da rede municipal de Goiânia

Publicado em: 10/09/2026
Nota de Apoio
O SIMEA manifesta apoio ao SIMEGO e aos médicos da rede municipal de Goiânia diante das sucessivas medidas de redução de recursos destinados à assistência. A preocupação vai além da remuneração médica: envolve a manutenção das escalas, as condições de trabalho e, principalmente, a capacidade de atendimento à população.

O Sindicato dos Médicos de Anápolis – SIMEA manifesta apoio ao Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás – SIMEGO e aos médicos da rede municipal de Goiânia diante das sucessivas medidas que vêm atingindo a remuneração, os vínculos e as condições de trabalho dos profissionais responsáveis pela assistência à população.

Em janeiro deste ano, durante a mobilização dos médicos contra a redução dos valores dos plantões, o prefeito Sandro Mabel declarou:

O médico que tem condições de ganhar mais pode trabalhar em outros lugares.

Na ocasião, a Prefeitura sustentava que os valores pagos aos médicos estavam acima do mercado e justificava sua redução como uma adequação financeira.

Passados poucos meses, a preocupação assume dimensão ainda maior.

Segundo informações divulgadas pelo SIMEGO e repercutidas pela imprensa, uma nova redução de aproximadamente R$ 6 milhões mensais nos recursos destinados aos profissionais credenciados pode afetar diretamente as escalas médicas da rede municipal. A estimativa apresentada pelo Sindicato corresponde a cerca de 2 mil plantões médicos de 24 horas por mês.

O problema, portanto, ultrapassou há muito uma discussão sobre quanto um médico pretende ganhar.

A questão agora é quantos médicos permanecerão na rede e em quais condições a população será atendida.

Não se pode tratar o trabalho médico simplesmente como uma despesa a ser comprimida indefinidamente. Hospitais, UPAs e demais serviços de saúde não funcionam sem profissionais em número suficiente para manter suas escalas.

Quando a redução de custos compromete equipes, o resultado pode aparecer na outra ponta: maior tempo de espera, sobrecarga dos profissionais, dificuldade para completar escalas e redução da capacidade assistencial.

Os acontecimentos recentes demonstram, inclusive, que a preocupação apresentada pelos médicos não pode ser simplesmente descartada como uma reivindicação corporativa. A controvérsia provocou mobilização profissional, atuação institucional do SIMEGO, ampla repercussão na imprensa e chegou ao Poder Judiciário, que, conforme divulgado, determinou a suspensão da rescisão dos contratos dos médicos credenciados.

O SIMEA considera legítima e necessária a discussão sobre eficiência e responsabilidade na utilização dos recursos públicos. Mas responsabilidade fiscal e responsabilidade assistencial precisam caminhar juntas.

Antes de reduzir recursos destinados diretamente à assistência, o poder público deve demonstrar, com critérios técnicos e transparência, que a medida não comprometerá equipes, escalas e atendimento à população.

Por isso, o Sindicato dos Médicos de Anápolis manifesta sua solidariedade aos médicos de Goiânia e apoio à atuação do SIMEGO, que vem cobrando transparência, segurança para os profissionais e preservação da capacidade assistencial da rede.

A discussão não é sobre médicos quererem “ganhar mais”.

É sobre quanto uma cidade está disposta a investir para ter médicos suficientes cuidando da sua população.

 

SIMEA – Sindicato dos Médicos de Anápolis