Médicos merecem respeito
Nota de Repúdio à cobertura da TV Anhanguera
Publicado em: 28/07/2026
O Sindicato dos Médicos de Anápolis (SIMEA) manifesta seu veemente repúdio à forma como o Jornal Anhanguera – 1ª Edição abordou, na reportagem exibida em 28/07/2026, os afastamentos médicos de servidores públicos municipais.
O combate a fraudes e irregularidades é dever do Estado e conta com o irrestrito apoio desta entidade sindical. No entanto, a busca pela responsabilização de eventuais infratores não pode servir de pretexto para a construção de uma narrativa que generaliza suspeitas, estigmatiza a classe médica e compromete a credibilidade de uma profissão exercida diariamente com ética, responsabilidade e compromisso com a vida.
1. A classe médica foi a primeira a identificar e denunciar a fraude
A própria reportagem demonstra que toda a investigação teve início graças à atuação ética de um médico integrante da Junta Médica Municipal, que identificou a falsificação de sua assinatura digital em atestados apresentados por servidores. Esse fato evidencia que os médicos não são cúmplices das irregularidades investigadas, mas, em muitos casos, vítimas da utilização criminosa de seus nomes, assinaturas e documentos.
2. Adoecimento não é "farra"
O afastamento por motivo de doença é um direito assegurado pela Constituição Federal e pela legislação trabalhista e estatutária. Milhares de trabalhadores adoecem legitimamente todos os anos, sendo submetidos a avaliação médica para a concessão de licença.
Nesse contexto, a utilização reiterada de expressões como "farra de atestados", associadas à divulgação de números gerais de afastamentos, produz uma percepção equivocada perante a sociedade, induzindo o público a relacionar licenças médicas regularmente concedidas à prática de fraude.
A própria reportagem reconhece que nem todos os afastamentos são irregulares e que existem servidores efetivamente adoecidos. Ainda assim, opta por uma abordagem que acaba lançando suspeitas sobre um universo muito maior do que os casos efetivamente investigados.
3. Dados estatísticos não podem ser confundidos com fraude
A divulgação de que aproximadamente 58,8% dos servidores apresentaram afastamento em algum momento do ano de 2025, sem a devida contextualização, pode levar o telespectador a concluir, equivocadamente, que esse percentual estaria relacionado a condutas ilícitas.
Trata-se de informação estatística que engloba todas as licenças médicas regularmente concedidas, decorrentes das mais diversas enfermidades e condições de saúde, e que, por si só, não constitui indício de fraude.
É imprescindível distinguir casos individuais sob investigação dos milhares de afastamentos legítimos concedidos diariamente na administração pública.
4. A fiscalização é responsabilidade da Administração Pública
A auditoria das licenças médicas, a realização de perícias presenciais, o acompanhamento da evolução clínica dos servidores e o cruzamento de informações funcionais constituem atribuições legais da Prefeitura de Anápolis, por meio de seus órgãos competentes.
Eventuais falhas nos mecanismos de controle interno devem ser apuradas e corrigidas, mas não podem ser utilizadas para transferir suspeitas à classe médica ou para desacreditar os profissionais que atuam corretamente.
5. Jornalismo responsável exige equilíbrio e respeito às investigações
Embora a reportagem apresente hipóteses como possível "máfia de atestados" ou organização criminosa, ela própria reconhece que não é possível afirmar, neste momento, a existência de tal esquema, atribuindo essa conclusão exclusivamente à Polícia Civil e ao Ministério Público.
Apesar disso, a construção narrativa, reforçada pelo uso de expressões de forte apelo emocional, como "farra", "dinheiro público indo para o ralo", "gordos salários" e outras manifestações de juízo de valor, contribui para antecipar condenações perante a opinião pública antes da conclusão das investigações oficiais.
O compromisso do jornalismo deve ser com a informação precisa, equilibrada e responsável, e não com a produção de narrativas que favoreçam o julgamento antecipado ou o desgaste reputacional de uma categoria profissional.
O SIMEA reafirma que não compactua com qualquer prática ilícita. Havendo irregularidades, elas devem ser rigorosamente investigadas, assegurado o devido processo legal, com a responsabilização individual de quem eventualmente tenha cometido infrações.
Da mesma forma, exige respeito à classe médica, que não pode ser tratada como suspeita coletiva em razão da conduta atribuída a indivíduos ainda sob investigação.
A medicina é uma profissão construída sobre a ética, a responsabilidade e o compromisso com a vida. Os médicos de Anápolis merecem respeito, reconhecimento e uma cobertura jornalística pautada pelo equilíbrio, pela imparcialidade e pelo rigor dos fatos.
📢 Compartilhe esta nota. Defender a honra da medicina é defender uma informação responsável, o devido processo legal e o respeito aos profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado da população.
SINDICATO DOS MÉDICOS DE ANÁPOLIS – SIMEA